Financiamento verde em ascensão, mas dados são “principal problema”

Na 5.ª edição da Green Economy Fórum a economia verde como motor de competitividade e crescimento esteve em debate, e em particular o tema do financiamento sustentável.


Frederico Pedreira e Ana Batalha Oliveira 3 Fevereiro 2026

O financiamento verde está em crescimento, mas enfrenta problemas como a obtenção de dados rigorosos, ao mesmo tempo que é necessária alguma simplificação nos requisitos que são apresentados às empresas. Estas foram algumas das conclusões do primeiro painel do Green Economy Forum, que se realizou esta terça-feira e teve como mote “Financiar a Transição Verde: do compromisso à execução”.

O diretor Executivo do Center for Sustainable Finance na Católica Lisbon School of Business and Economics, António Baldaque da Silva, considera que os países da União Europeia têm uma política económica centrada “em algo que não é credível”, o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus centígrados, mas faz um balanço positivo do ano 2025 ao nível da sustentabilidade. “O investimento em energias verdes duplicou nos últimos anos. São ótimas notícias”, disse numa intervenção durante a 5.ª edição da Green Economy Fórum, uma conferência organizada pelo ECO na Abreu Advogados.

Para António Baldaque da Silva, fazer um “crescimento contra a natureza”, quase “limpa” os 0,7% que Portugal tem crescido, anualmente, nos últimos cerca de 20 anos. Ainda assim, salienta que a aproximação que foi feita a nível europeu, no que diz respeito à regulação, muito “normativa” e “impositiva”. O diretor Executivo deixou ainda um alerta: o Governo e a política económica têm o papel de incentivar a que o tecido económico se dirija mais ao bem comum.

No painel “A economia verde como motor de competitividade e crescimento”, António Baldaque da Silva realçou também que “estamos a caminhar para os 2,5 graus centígrados de aquecimento global”, provavelmente 3 graus no caso do sul global, embora continuemos a trabalhar com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus centígrados. “Temos uma política económica centrada em algo que não é credível”, nota, sublinhando que isto não permite fazer um planeamento estratégico e empresarial. Alertando para o crescimento anémico, notou ainda que não existe “cenário económico possível” em que vamos crescer contra a natureza”. Logo, apostar numa economia é apostar numa estratégia de crescimento económico que respeite o ambiente.

No caso concreto do Millennium BCP, Mário Silva, que se dedica ao Marketing de Empresas na instituição, adiantou que o banco está a desenvolver diferentes tipos de financiamento, que “têm crescido substancialmente”, como as green bonds, social bonds e programas de papel comercial.

Na conferência, avançou também que o crédito sustentável registou um crescimento no banco. No entanto, ressalva, há a necessidade de obter dados de sustentabilidade e perceber se os compromissos das empresas são adequados ao setor onde se inserem, procurando a garantia de que não existem situações de greenwashing.

Sobre os dados, o problema é a falta deles, afirma a diretora de Sustentabilidade do Santander, Cristina Melo Antunes. Aliás, considera ser esse o principal problema em termos de financiamento. “O principal problema são os dados”, indica, “sobretudo nas empresas mais pequenas”. Salienta também que as novas tecnologias fazem com que a resiliência das empresas aumente. “Nos bancos temos apetência para empresas mais resilientes, que têm menos risco de crédito”, garante.

A diretora de Sustentabilidade do Santander acredita assim que as empresas deviam ter todo o interesse em ter dados relacionados com o seu desempenho de sustentabilidade, “para seu próprio bem”. Reconhecendo que a obtenção e reporte de dados são desafios, afirma que agora “as coisas também são mais rápidas”. “Isto é tudo simples, complicamos muito porque é uma coisa nova”, indica, deixando por fim a mensagem: “o que é importante é gerir o risco”.

No que toca ao financiamento, a sustainability champion in chief da Systemic, Sofia Santos, considera que a Comissão Europeia continua a fazer a sua “missão”, mas deixa críticas. “É um mito que a Comissão Europeia está a simplificar a vida das empresas”, referiu. A sustainability champion in chief da Systemic, Sofia Santos, não considera que exista regulação “a mais” e lamenta que tenha chegado demasiado “tarde”. “Porque chegou tão tarde que temos de nos preocupar com a adaptação”, disse. Nos temas de mitigação das alterações climáticas, por exemplo, “há modelo de negócio”, realça, e os “investidores todos à espera de que haja projetos”. Segundo a mesma, a lacuna está mesmo mais no financiamento para temas de adaptação, que permitam evitar custos futuros.

Neste sentido, Sofia Santos afirma que as obrigações verdes poderiam servir um país como Portugal, que tem necessidades de adaptação. “Havemos de conseguir emitir uma obrigação verde”, afirma, olhando para as obrigações verdes como “ótimo sinal que se pode dar ao mercado financeiro”, na medida em que mostra que o Estado está comprometido. Sugere, inclusivamente, que sejam emitidas a nível autárquico.

Por seu lado, Inês Vieira, senior manager da EY, salienta que face a “todo o processo burocrático” ao nível do licenciamento, o Governo decidiu dar um passo e simplicar. “Uma das medidas do Governo foi simplificar a parte burocrática. (…) Toda a tendência hoje em dia é simplificar, como o [pacote europeu] Omnibus”, explicou.

“As empresas públicas têm de dar o sinal”

O secretário de Estado do Tesouro e das Finanças afirma que o seu cenário predileto é aquele em que se consegue conjugar três pilares da sustentabilidade: ambiente, social e as questões mais financeiras e de governação.

Em termos ambientais, destacou que o Governo está a tratar da transposição da diretiva CSRD – Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa, e que não quer que a diretiva se cinja a atuar sobre as empresas cotadas, mas também não cotadas e públicas. “As empresas públicas têm de dar o sinal”, defende.

O objetivo é que as empresas que não estão abrangidas pela diretiva queiram apresentar os próprios reportes de sustentabilidade, ao saber que lhes permite aceder a condições privilegiadas do ponto de vista financeiro. E ressalva que isto terá de ser feito de “forma gradual”.

Em termos sociais, destacou que já foi aprovado, em Conselho de Ministros, o direito ao esquecimento, que permite igualdade de acesso ao crédito de habitação e consumo para pessoas que suplantaram os mitigaram situações graves de saúde e deficiência.


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